Hoje é domingo, tá nublado, temperatura agradável, e o estômago cheio junto com o chimarrão do lado nos propiciam um dia bucólico. Que que cê faz num dia assim?

Deixa de lado as tarefa tudo (momentaneamente, seja responsável!) e se joga escrever post pro blog porque cê quer postar um videozin bonito, mas ele merece uma introdução à altura!

Não é um vídeo de dança. É um vídeo que conheci faz algum tempo (e reencontrei no oceano caótico que são os meus favoritos internéticos) do artista russo Mikhail Sadovnikov, que trabalha com cerâmica. Aqui, ele capta sua performance de criar padrões belíssimos com argila na sua mesa giratória ao som de música.

É um vídeo maravilhoso, onde é possível hipnotizar-se pela melodia da música e pela beleza dos padrões criados incessantemente pelo artista. Mas o que isso tem a ver com dança?

EI-LO

Admirem, meditem, não babem no teclado.

“Mas Anath, porque diabos esse vídeo está aqui no teu site sobre dança?”

Pois bem, caro leitor, é exatamente isso que quero explorar aqui. Obviamente ninguém vai dizer que este é um vídeo de dança, mas quero chamar a atenção de vocês para uma perspectiva diferente sobre o movimento e suas possibilidades.

Existe uma camada no ato de dançar que remete à prática acima mencionada: meditação.

A meditação é algo que a gente costuma topar quando entra em contato com o oriente. É uma prática que consiste em concentrar-se em alguma coisa e contemplá-la, buscando atingir um estado de consciência superior. Existem muitas formas de meditar – e muitos mitos sobre, mas isso fica pra um post futuro – e uma delas é através do movimento.

“Movimento”, num sentido mais puro, nada mais é do que o deslocamento de uma parte do corpo, ou dele todo, de um ponto para outro. Agora, se tu inserir um ritmo junto desse movimento, tu tens DANÇA!

mazááááááááááááááá

Sei que cada um de nós vai ter uma opinião sobre o que é e o que não é dança, mas o meu ponto aqui não é estabelecer uma definição, e sim de trazer um ponto-de-vista: dança é movimento ritmado. Esse ritmo pode ser pura e simplesmente a tua respiração, pode ser um lento e monótono tambor ou bater de pé, pode ser uma sinfonia do Beethoven, um rock paulera, uma melodia elaborada ou o som do vento.

Tu pode sentar para meditar, de pernas cruzadas, braços relaxados, olhos fechados, e se concentrar na respiração. Tua respiração tem um ritmo, e cê vai observá-lo. Pode até botar uma música de fundo, e coordenar tua respiração, ou não, com ela. Tu está dançando. Está vivenciando um determinado ritmo da vida e do corpo. E isso pode expandir a tua consciência.

Tu pode praticar Tai Chi Chuan, no estilo Yang, em meio às árvores do pátio, ao som de uma flauta suave ou água corrente. Teu corpo e respiração ditarão o ritmo, e a tua concentração na seqüência dos movimentos e na energia trabalhada serão como uma dança, um fluxo pelo ambiente. E isso pode expandir a tua consciência.

Tu pode praticar Yoga, com todas as técnicas de respiração, ásanas, yoganidra, etc., e, principalmente no que diz respeito às posturas, no final cê estará se movimentando no ritmo da respiração, ou da música inclusa, enquanto busca atingir a plenitude das posições. Tu estará dançando. E isso pode expandir a tua consciência.

Tu pode aprender e praticar o giro Sufi, uma dança ritual que nada mais é do que girar no próprio eixo e concentrar-se em entrar em transe, deixando fluir a energia através de si. E isso pode expandir a tua consciência.

Tu pode praticar danças em geral – seja a Dança do Ventre, Tribal ou outro estilo – com esse propósito: meditar. Concentrar-se plenamente na prática, nos movimentos cadenciados, no ritmo utilizado, na melodia expressa. E isso pode expandir a tua consciência.

Tu pode sentar perante uma mesa de trabalhar cerâmica, tacar um pouco de argila molhada nela, botar tocar uma música e concentrar-se em espalhar o material enquanto a mesa gira, e ficar brincando cos padrões diversos que surgem e somem a cada instante. Quando tu menos esperar, vai se perceber meditando, com os pensamentos flutuando longe, sem te incomodar, tua respiração estará tranquila, tu estará mergulhado em uma experiência de consciência expandida. E mais: propiciará o mesmo para o espectador.

Om Namastê.

Presentin extra: procurando pela imagem do cabeçalho, encontrei a seguinte matéria, que complementa lindamente o que quis trazer com essa postagem: a dança como meditação. A autora, Jamie Marich, conta um pouco da sua história e dificuldades para descobrir que seu caminho meditativo se desenvolvia através da dança. Separei alguns trechos que mais em chamaram a atenção:

“Through my spiritual evolution, I have learned that sitting for hours on a cushion, contemplating contemplations, going on silent retreats, chanting repetitively, and thoroughly scanning my body parts while laying down is not how I achieve the spiritual harmony that I seek. Although I will engage in these practices when it seems genuine for me to do so, and I have nothing but respect for people who engage in these practices authentically, I’ll be frank—they don’t get me to that state of balance that I seek. Dancing, however, does.”

“Dancing is the crux of my mindfulness practice, just as sitting on a cushion for hours coming back to the moment with your head may be your foundation. And guess what? I’ve found that engaging in vigorous dance meditation allows me to come back to seated meditation with much more meaning, just as some people may need to engage in a vigorous asana yoga practice before they can deeply relax and quiet the mind.”

“For me, it makes perfect sense to dance to high-energy music from a variety of genres in a meditative way where, if I catch my present-moment awareness wandering and judgment creeping in, I gently draw my attention back. Interestingly, I notice that the more I engage in this practice, the more comfortable I am with silence in my daily life.”

Link para a matéria completa: http://www.yoganonymous.com/is-dance-meditation-really-meditation

Sobre o autor Anath Nagendra

"Uma criatura estranha, mergulhando dentro de si mesma e tentando voltar para oferecer algo ao mundo."

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