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Pega o chimarrão que o post é longo! :p

Ah, a Dança do Ventre. Para os mais íntimos, “DV”. Para o mundo, “Bellydance”. Cheia de mistério, envolta por sensualidade, exalando feminilidade. Conhece? Já viu algo? Muito provavelmente sim, nem que tenha sido na novela O Clone. :p

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Visto ou não, a grossa parte da população brasileira (quiçá mundial) tem uma visão distorcida dessa dança, ou muito pobre, superficial. Isso, aliado à fantasia ocidental com relação às “odaliscas”, traz muitos problemas pra quem se dedica ao estudo e prática dessa dança como arte. Se já é difícil um artista (de qualquer área) ter que aturar comentários e dificuldades pra tentar viver disso em um país que mal e porcamente valoriza e explora a cultura, imagina um dançarino de DV!

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“Mas você só dança?”

Sendo assim, como aspirante a artista, um dos meus propósitos aqui no blog é a divulgação dessa arte como tal, mostrando-a em toda a sua beleza, diversidade e usos! 😀 Este post é dedicado à “inauguração” da coluna “Estudos Ventrísticos”, onde pretendo discutir e apresentar as várias faces da DV – e também do Tribal. Além disso, essa e outras colunas servirão como ferramenta de estudo pra mim, pois irei pesquisar o melhor que puder, e feedback e conhecimento são bem vindos!

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O post de hoje, então, é um apanhado geral da diversidade da Dança do Ventre, voltado para o leigo que nunca teve contato ou que tem apenas uma base superficial. Vou mostrar um ou dois vídeos que exemplifiquem vários estilos dentro da DV, dentre outras coisas. Mais adiante virão textos mais completos, focados em nuances específicas e em cada quesito abaixo, além de discorrer sobre a história e origens. Enjoy 😉

Bailarinas egípcias antigas – O que conhecemos hoje como Dança do Ventre vêm se desenvolvendo há séculos – quiçá milênios, em um grande “amalgamamento” de culturas e influências. Mas só muito recentemente, no século XX, é que ela se consolidou na forma atual, e houve um maior registro de performances de bailarinas árabes, o que disseminou o estilo. A esmagadora maioria era atriz e dançava em filmes – por isso quase tudo o que tem delas no YouTube, por exemplo, tem trechos de filmes no meio. :p Muitas bailarinas egípcias (mas não só) se tornaram famosas nas décadas de 30, 40, 50, e em diante, e é delas que vem uma boa parte da base da Dança do Ventre atual. Umas das mais famosas foi Taheya Karioka!

Dança clássica – É um estilo de DV dos mais disseminados, que acompanha lindamente uma estrutura bem definida da música árabe. Hoje em dia, muitas músicas clássicas são editadas para ficarem menores (afinal, existem algumas de 15, 20, 30, ou até mais de 40 minutos!), e esses cortes podem porventura cortar trechos da “estrutura clássica”. Porém, quando não há essa perda, em geral a música possui um trecho introdutório dos músicos, seguida pela entrada da bailarina – geralmente acelerada e com muito deslocamento ou uso de véus, e ainda há partes mais cadenciadas, rítmicas (solo de derbak), o taqsim (mais introspectivo e emocional), trechos folclóricos e finalizações.

Solo de derbak – Um dos estilos mais disseminados também, encontrado em trechos de músicas clássicas, mas com muitas músicas inteiras só disso. Caracteriza-se por ser um solo de percussão, sem melodia, onde a bailarina faz uma leitura precisa com o corpo. O solo abaixo é de uma das minhas bailarinas favoritas do Brasil: Esmeralda Colabone!

Para TOD@SH – Sim, isso mesmo. A Dança do Ventre (assim como qualquer outra dança ou arte) é para todos! Aqui há mulheres de todas as idades, de todos os tipos de corpos, com diferentes capacidades e objetivos! E homem também dança, e não é só no quesito folclórico. Como é uma parte bastante ampla, em outra postagem irei explorar a diversidade dentre desse estilo de dança. Mas, fica aqui dois exemplos, um de DV e outro de Tribal, de homens dançando – e muito melhor do que muita dançarina por aí! :p

Grávidas – Grávidas dançam também. É comum achar vídeos solos ou em grupo com uma integrante com um barrigão! Aqui, nada na dança te impede de dançar, seja qual for o tempo de gestação. Mas atenção: não o faça sem consultar um médico, pois dependendo do caso, dançar pode trazer problemas sérios. Abaixo um exemplo com a bailarina Sadie Marquardt, que no vídeo devia estar com uns 5 ou 6 meses, talvez (mas há moças que dançam até um dia antes de parir!).

Acessórios – Há muito que várias performances de DV utilizam diversos tipos de acessórios para incrementá-la. O mais famoso é o véu, mas existem muitos outros, como o véu wings, o véu fan, snujs, taças, candelabro, espada…. isso sem falar nos que são utilizados no folclore, como pandeiros, jarros, bastões, etc. Abaixo, um exemplo de dança com espada, da Carlla Silveira, e depois uma performance com véu duplo.

Folclore – O Folclore árabe é muito rico! E as danças folclóricas representam as tradições e a história do povo em questão. Algumas são remanescentes de danças tradicionais mesmo, enquanto outras contam uma história de hábitos do povo. Existem muitos, e de várias regiões e países do Oriente Médio. Apresento aqui dois, pra dar um gostinho. O primeiro é o saiid, e o outro é o hagallah.

Dança do Ventre moderna – Aqui é onde as regras se tornam mais flexíveis. A DV moderna permite explorar e ousar nos figurinos e nas performances! Pode ser desde uma leitura mais flexível na dança e música (que nem precisa ser necessariamente árabe), como algo mais performático. Cabe aqui até fusões – onde tu cria uma dança que mescla duas vertentes distintas como, por exemplo, DV e dança indiana, ou flamenco, etc. Abaixo, um exemplo de uma coreografia mais contemporânea, de Mercedes Nieto.

Dança Tribal – O Tribal nasceu há algumas décadas, buscando um outro viés da DV, mais performático, circense, com fusões de culturas e o espírito da sororidade. Dali nasceu o American Tribal Style®, cuja essência é uma fusão entre DV, Flamenco e Dança Clássica Indiana, e deste surgiu o Tribal Fusion, ainda mais livre e híbrido. Irei em breve esmiuçar a história e a essência do Tribal aqui no blog, mas, por hora, ficam alguns vídeos que, acho, ilustram bem o “geral” desta dança.

ATS®, American Tribal Style, criado por Caroleena Nericcio (a figura central, de preto, no início do vídeo). É uma dança de improvisação coordenada. Ou seja: é tudo improviso! Acreditem :p

E aqui mais dois vídeos, de Tribal Fusion, que eu postei aqui em outra matéria, mas vale pro contexto. 😉

Rachel Brice e sua companhia, Datura, em quatro performances no evento Tribal Fest, de 2013.

Zoe Jakes, com uma performance “três em um”, no evento 3rd Coast de 2015.

Espero que tenham gostado! E, pra quem não conhecia muito deste estilo de dança, espero que tenha se encantado com essa forma de arte e aprofundado um pouco a sua visão do enorme leque de possibilidades que vivenciamos com ela. 😀

Dúvidas, questionamentos, curiosidades, críticas… fiquem à vontade. 😉

Sobre o autor Anath Nagendra

"Uma criatura estranha, mergulhando dentro de si mesma e tentando voltar para oferecer algo ao mundo."

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