Qual a tua relação com teu corpo?

Odeia, ama, tá de bouas?

Como tu vê teu próprio corpo?

Bonito, feio, ridículo, atraente?

Como tu sente o teu corpo?

Muito grande, pequeno, flácido, forte?

Como tu gostaria que ele fosse?

Diferente, igual, tanto faz, esculpido?

Essas são algumas das vááárias perguntas que podem ser feitas pra se descobrir a própria relação com o corpo. E há muitas mais. Mas posso dizer com 99,9% de certeza que: não, tu não está feliz com o próprio corpo. Ao menos não totalmente.

Mesmo aquela moça sortuda e evoluída, que conseguiu atingir o patamar chamado “FODA-SE ESTA MERDA” e aceitou seu corpo como é e está felizona, já passou por toda uma provação pra chegar neste ponto. E, se bobear, ainda vai haver um aspecto relacionado à aparência que a incomoda, mesmo que inconscientemente. (sim, sou cética e pessimista, prazer)

Não é de hoje – aliás, não é de hoje MESMO – que nós, mulheres, sofremos a vida inteira com cobranças e frustrações ligadas à nossa aparência física. Meio inevitável não adentrar no assunto feminismo vs patriarcado, pois, se formos analisar (e analisar *bem*, não simplesmente devanear sobre e basear-se em achismos), veremos que vários fatores típicos do patriarcado culminaram na objetificação da mulher, dentre outras coisas, e que se traduzem na eleição de um padrão de beleza praticamente inalcançável.

O porquê disso? Destruir a confiança da mulher. Minar seu amor-próprio. Controlá-las feito escravas, sedentas de aceitação social.

Com o crescimento do Feminismo, todas nós – mulheres principalmente, mas os homens também – começamos a perceber na carne o impacto psicológico dos padrões de beleza impostos pela sociedade, e a questioná-los.

Questionar é uma das mais fortes armas do ser humano, e temos que desenvolver cada vez mais os miolos pra que este nos faça quebrar os condicionamentos psicológicos impostos à nossa percepção da auto-imagem.

Porém, apenas questionar, infelizmente, não resolve o problema. Pra nos livrarmos dessas imposições, temos que entendê-las, dissecá-las e enfim destruí-las. É um processo demorado, subjetivo e muito pessoal. Devemos ser psicólogos de nós mesmos.

Mas, apesar de ser algo fortemente pessoal, ajuda é sempre bem-vinda. Progressos e boas experiências podem servir de inspiração pra muitas queridas sofridas por aí.

Quem consegue vencer algum destes obstáculos, mesmo que apenas um pedacinho, pode e deve expô-lo, para que outras a vejam e ganhem coragem de fazer o mesmo.

Quem está tendo dificuldade, siga em frente e não desista.

Agora, se você não está nem aí pra isso, se você acha que tudo isso é bobagem e perda de tempo, que somos um bando de loucas destruidoras de lares… vai passear, tomar um ar, refletir sobre a Vida, o Universo e Tudo o Mais.

Volte quando perceber o quanto tu mesma se machuca com isso.

Estaremos de braços abertos. 🙂

Então, decidi que vou tentar trazer um pouco dessa inspiração, minhas experiências e trabalho interno com relação à aceitação do corpo e da imagem aqui no blog. Obviamente, será uma série de posts. Hehehe

Como estreia, retomo a questão-título do post:

O que você vê no espelho?

Como você se enxerga? Um amontoado de defeitos? Uma obra de arte da natureza? Uma beleza renascentista? Algo que precisa urgentemente de cirurgia plástica? Um corpo bacana – mas seria bom umas mudanças aqui e ali?

QUEM você enxerga no espelho?

Uma potencial top model? Uma gorda inútil? Uma musa inspiradora? Uma gordinha sexy? Uma magrela desengonçada? Uma moça com partes desproporcionais? Ou você mesma?

Mas… quem é VOCÊ?

Essa pergunta, em especial, é pra vida toda. Perceba que todas as respostas são meras *descrições* de ti. Teu nome? Um rótulo. Tua aparência? Uma imagem. Tuas características? Conceitos.

Tá, sei que aqui a coisa tá ficando profunda demais. Tiremos a cabeça de baixo d’água e voltemos ao que interessa.

Minha primeira dica pra treinar o auto-questionamento é: descreva você mesma, todas suas características, de todo o tipo, e depois analise-as. De onde elas vieram? Quem disse ou impôs? Quem rotulou? O que eu acho disso? Como me sinto?

E, como o assunto é a aparência e o corpo, defina o que tu acha de si mesma nesse quesito. Como você se acha no geral. Que detalhes você acha bonitos, perfeitos, ok. Que partes você acha defeituosas, feias, estranhas, que você mudaria.

Agora, pergunte-se o porquê disso. Porque tu acha uma determinada parte sua feia? Ou bonita? Porque tu mudaria tal característica? Como tu gostaria de ser, e porquê?

Tente descobrir quais são os teus reais desejos… mas principalmente: o porquê deles.

Meu ponto é: não adianta você desejar ardentemente ter uma silhueta mais curvilínea ou ser mais magra, por exemplo, se o porquê disso: é ter aceitação social; é estar dentro do padrão de beleza vigente; é ganhar atenção e inveja dos outros; é pra conquistar o coração de alguém;

Todos estes motivos revelam a sede que temos de sermos aceitos pelos outros.

NOPE

Tu tem que ser aceita por ti mesma. Tu tem que se amar como é, porquê você é você, e ninguém mais. Não deve gostar ou desgostar de si mesma porque te disseram isso.

Claro, não estou dizendo que tu tens que cagar pra tudo e aceitar-se “à força” do jeito que estiver e permanecer assim forévah.

NOPE

A aceitação deve ser sincera e te trazer felicidade. Felicidade por ser quem é, do jeito que está, e foda-se a opinião dos outros.

Isso não te impede de querer moldar o corpo. Não impede de desejar mudanças. Não te impede de sentir frustrações e querer buscar algo diferente.

O corpo é maleável.

O corpo é uma expressão de ti mesma.

Expresse-se como quiser.

Capisce?

Ouça teu corpo. Veja o que ele diz.

Entenda a estrutura do seu corpo. Como ele engorda, como emagrece, como sua fisiologia funciona. Como ele reage às tuas emoções.

Se você é feliz numa vibe super natureba, cabelo natural, não se depila, não se importa com celulites e gordurinhas localizadas: ÓTIMO!

Se você é feliz sendo vaidosa, adora maquiagem, roupas de oncinha, salto alto e cintura fina: ÓTIMO!

Se você é feliz sendo gordinha, se lambuzando em pizzas de cinco queijos e tomando banho de leite condensado e usando roupas sexys: ÓTIMO!

Se você é feliz sendo rata de academia, tomando shakes e moldando cada músculo: ÓTIMO!

TODA forma é permitida.

E percebem que, em todos os exemplos acima, nada é fixo. A viciada em academia pode muito bem parar de fazer exercícios e tornar-se gordinha. E ainda assim ser feliz. A gordinha comilona pode emagrecer. E ainda assim ser feliz. A vaidosa pode mudar totalmente de estilo, parar de se maquiar e usar pijama o dia todo. E ainda assim ser feliz. A hiponga pode se depilar e maquiar feito drag queen. E ainda assim ser feliz.

Lembrem-se:

O corpo é maleável.

Ele é uma expressão do teu eu, assim como teus sentimentos e pensamentos.

O corpo é arte.

E, falando em arte, e já que o blog é sobre dança… nada mais justo que mencionar essa relação. Percebam, vocês – bailarinas, como a nossa auto-imagem afeta nossas performances, nossas inseguranças no palco, nossa expressividade emocional. Percebam como esses condicionamentos estéticos nos atrapalham na vida artística.

Sou gorda demais, não posso dançar.

Sou feia, não posso dançar.

Sou desengonçada, não posso dançar.

Sou magra demais, não posso dançar.

Não tenho quadril largo, não posso dançar.

Sou flácida, não posso dançar.

Isso sem falar nas cobranças com relação à performance impostas pelo próprio meio.

Meu quadril é muito rígido, não posso dançar.

Não tenho fôlego, não posso dançar.

Não sou graciosa e sensual, não posso dançar.

Sou velha demais, não posso dançar.

Pra citar apenas alguns exemplos.

Primeiramente: Fora Temer.

Segundamente: perceba como todas estas frases não importam, não te impedem de dançar e de se expressar. Elas nada mais são que mecanismo auto-sabotadores.

QUEBRE-OS

Terceiramente: Temer Golpista.

Quartamente: troque todos os “sou” das frases acima por “estou”. Perceba a enorme mudança que isso faz.

Estar é momentâneo.

Quintamente: Vergonha de ser brasileira. Desculpem, a deprê tá foda.

Sextamente: retire todos os “não” das frases que o tiverem. Percebam que a frase continua a ter pleno sentido. Não há impedimentos.

Eeeeeenfim, por hoje é só, folkinhas. “Só”. Hehehehehe

E lembrem-se do mantra supremo a ser usado quando qualquer um vier com argumentos machistas ou críticas negativas com relação à tua dança ou aparência:

❤ FODA-SE ❤

Beygos ❤

Sobre o autor Anath Nagendra

"Uma criatura estranha, mergulhando dentro de si mesma e tentando voltar para oferecer algo ao mundo."

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