Nome artístico – ter ou não ter, eis a questão

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“Blind”, Fotógrafo: Sheridan’s Art, Modelo: Myrna Moonstruck, Máscara: Hysteria Machine. Via Pinterest

Quando se escolhe a vida de artista – seja por profissão mesmo ou um hobby –, em algum momento você topa com a questão de ter ou não um nome artístico, ou stage name, para os gringos. Geralmente isso ocorre no início da carreira, e é algo a ser considerado antes de “criar fama”, para que o nome desejado seja o que vai ser memorizado pelo público. Mudá-lo depois de anos pode ser complicado, pois terá que trabalhar muito na divulgação da nova imagem sem perder os vínculos e contatos da anterior.

Algumas pessoas não se interessam e mantém seu próprio nome, outras adotam algo fictício e fantasioso e há aqueles que trocam por questões de praticidade e publicidade – adotando algo diferente ou apenas modificando algum detalhe no nome original.

Mas qual a melhor opção?

Te digo: tanto faz. :p

Um nome é uma chave importante na sua imagem artística, porém o teu trabalho é o que ainda conta, e independente da definição que você carregar, é o conteúdo da tua arte que vai levar ela adiante.

Porém, existem muitos que ficam na dúvida se devem ou não adotar um nome artístico, como e porquê. Então aqui vão algumas dicas e perspectivas minhas sobre algumas opções, inclusive a de não adotar.

TIPOS DE NOMES ARTÍSTICOS

Nome real

Primeira coisa: não há nada de ruim em escolher manter o nome de batismo. É uma opção bastante prática – não precisa quebrar a cuca pensando e escolhendo opções fictícias. 😉

Se você gosta do seu nome verdadeiro e não sente a necessidade de criar um outro apenas para a vida artística, ótimo! As únicas preocupações que você deve ter são de cunho publicitário: evite usar o nome completo caso ele tenha mais de um nome/sobrenome, pois os muito longos demoram a fixar na memória do público; ao mesmo tempo, evite usar apenas seu primeiro nome – a menos que ele seja extremamente singular. :p

Nome alterado

Esta é a saída para aquelas pessoas que não se interessam em ter um nome fantasioso, porém têm um nome muito estranho ou difícil de pronunciar/escrever/memorizar. Nestes casos, é comum o artista alterar seu nome real para uma forma parecida, simplificando a soletração ou mesmo adotando algum sobrenome diferente – até porque, dependendo da situação, vai ser fácil encontrar uma moita cheia de gente com nomes parecidos com o seu. Há também a opção de se inserir um apelido. 😉

Meio-a-meio

É o caso de quem adota um nome ou sobrenome artístico fictício/fantasioso – mas mantêm o nome ou sobrenome real. Ótima opção para quem curte a ideia de ter um nome diferente, porém não quer se desfazer do verdadeiro.

Nome fantasioso/fictício

E cá estamos no outro extremo. Aqui o artista resolve mudar completamente e adotar um nome totalmente fictício para si. Pode ser apenas um nome – desde que suficientemente singular – ou ambos, nome e sobrenome.

Cabe ressaltar aqui alguns cuidados:

– Pesquise se o nome desejado já não existe (na verdade isso vale para qualquer um dos casos acima), ou se não há alguém cujo nome é muito parecido;

– Escolha um nome cujo significado seja importante de alguma forma pra você;

– Se o nome for em outra língua, pesquise muito bem o que ele significa, suas traduções (muitas vezes mesmas palavras têm diversos significados), como se escreve e pronuncia. E também se ele não tem alguma conotação ou simbolismo na cultura original. Evite também palavras cuja gramática e fonética sejam muito complexas para o público.

– Se o nome for de algum personagem, considere bem as características da personalidade, e verifique se ela condiz com a tua pessoa – real ou artística. Não seria um bom negócio adotar para si o nome de uma pessoa/personagem cretino. :p

Cabe ressaltar aqui que estas são apenas sugestões e dicas para se escolher um nome. Sinta-se livre para utilizar a forma que preferir. Apenas tenha sempre em mente as possíveis consequências da versão que escolher, e se estará disposto a ficar explicando ou corrigindo, caso resolva usar algo bastante distinto. 😉

O PORQUÊ E O PARA QUÊ

Agora, além das formas de um nome artístico, temos também os porquês de adotá-los. Os motivos de se escolher ou não um nome artístico são tão diversos quanto a forma de usá-los. Algumas pessoas acharão bobagem ter uma definição fantasiosa, outras acharão úteis para separar a vida pessoal da artística, e ainda haverá aquelas que apenas acham bonito e divertido.

Na minha visão de mundo, a conexão entre o indivíduo e sua expressão artística estão intimamente relacionados, e de formas muito diversas e complexas, pois envolvem psicologia e espiritualidade – no mínimo. :p Não vou abordar esse aspecto mais profundo sobre a arte aqui, deixaremos para uma outra oportunidade. Mas, quero trazer uma perspectiva mais simbólica – e ao mesmo tempo prática para fins espirituais ou esotéricos – na percepção de seu nome artístico – seja ele o nome de batismo ou um fictício.

Teu nome real é uma definição de você. Ela não é necessariamente uma descrição, mas são as palavras que te identificam desde o nascimento, e com as quais você se identifica também. É o rótulo da tua persona, a face que você mostra para o mundo e com a qual convive. É possível fazer toda uma imersão de autoestudo apenas com o próprio nome, seu simbolismo, o que ele significa pra você, como tu lida com ele, o karma incluso nos sobrenomes familiares, etc.

Se você opta por seguir com seu nome verdadeiro na carreira artística, está se comprometendo a expressar e desenvolver a sua expressividade e criatividade tal como é. E tá tudo bem com isso. Podemos até dizer que assim você está buscando a completude interna, expressar seu True Self, tornar-se completo, e se conseguires manter esse intento e seguir caminho, isso potencializará o seu desenvolvimento.

Mas, a partir disso, tu pode pensar que eu estou dizendo que quem escolhe um nome fantasioso está renegando a si mesmo. Não é o meu ponto, porém isso não é impossível. Como eu vejo essa relação também sob o viés psicológico, é claro que haverá pessoas que irão adotar um nome fictício procurando fugir de si-mesmas. Querem esconder seu eu verdadeiro dos outros – seja por timidez, desgosto, medo, etc. Para estas pessoas, o nome artístico se torna uma máscara, que permite que eles sejam outra pessoa enquanto expressam sua arte.

E cá está o plot twist: isso não é ruim.

Claro, para mim, querer fugir ou segregar partes de si mesmo não é o ideal – visto que o objetivo seria unir tudo – porém, considerando os trocentos problemas da vida e da sociedade em que vivemos, conseguir dar vazão à Sombra ou a outros aspectos internos que em outras situações estariam trancafiados é ótimo!

Então, se você é uma dessas pessoas, de modo algum se sinta criticado com isso. Perceba e vivencie seu próprio processo, e deixe fluir toda a arte que queira ser vista e experimentada. 😉

O que eu quero expressar aqui é apenas uma cereja de bolo. A minha perspectiva-base já é de que a arte é um veículo para expressarmos a Sombra & outras cositas, porém, porque não usar essa ferramenta para integrar o inconsciente, ao invés de “apenas” expressá-lo? 😉

Novamente, esse assunto é longo demais pra agora, mas com relação ao nome artístico, como isso se aplica?

Aqui devo fazer um adendo: você pode aprofundar seu desenvolvimento interno sem um nome artístico fantasioso, pois a busca pela integração e avanço no processo de Individuação independe disso. Você pode expressar tua sombra ou outras coisas através da arte e trabalhar na integração destes mesmo com o nome real!

Mas e quando se adota um nome fantasioso? Aí a minha dica é: procure imbuir um significado mais denso na escolha dele. Pegue um nome que represente o desejo de crescimento seu, de evolução espiritual, de abertura ao inconsciente e à plenitude.

Por exemplo, se tu usar o nome de alguma deusa, não o faça apenas porque é bonito ou porque você gosta daquela figura. Pensa da seguinte maneira: usando o nome dela, você irá canalizar a energia da deusa. Vai atrair o arquétipo dela pra sua arte. Vais se tornar um veículo de manifestação dela.

Neste exemplo, é preciso ter certos conhecimentos para evitar alguma catástrofe. Se você não for atencioso, poderá atrair algo maior do que pode suportar, ou então chamar aspectos negativos do arquétipo. Lembremos pois que somos reles mortais. :p

Então, tomando os devidos cuidados, você pode usar um nome cujo simbolismo represente um ideal para você, seu processo ou sua arte, ou um desejo de realização, ou ainda o que você quer integrar, buscar em seu inconsciente e trazer à tona.

Em breve postarei aqui o processo que tive para escolher o meu nome artístico e seus motivos, e, com sorte, será um exemplo para entender melhor essa minha perspectiva.

That’s all – for now. hehehehe

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