16523845_1738695929489389_987321843_o

Na minha última postagem (aqui) falei um pouco sobre ter ou não um nome artístico, opinei sobre motivações e propósitos, dei dicas para o uso e também sobre as variadas formas de se usar um stage name.

Hoje, irei falar um pouco sobre a minha decisão de ter um nome artístico, seu propósito, a pesquisa por trás dele e também sobre a criação da marca.

Como tudo começou

Não lembro. HUE

Minha memória não ajuda nada, com frequência. O que sei é que eu sempre gostei da ideia de nomes artísticos, fantasiosos, personagens & personalidades. Quando eu entrei pra dança, acho que esse tópico não tinha muita relevância pra mim, apesar deu achar bastante interessante as várias bailarinas que encontrava com nomes fictícios. Porém, quando a ideia de ganhar a vida profissionalmente com a dança começou a tomar forma nas minhas ambições com relação ao futuro, a questão de ter um nome artístico começou a se destacar.

Eu sou uma pessoa naturalmente ansiosa, então, já imagina como fiquei. Era uma expectativa de escolher logo e começar a usar logo um nome artístico, tanto pra divulgar meu trabalho e aulas propriamente, sem precisar mudar depois, quanto pra eu conhecer o conceito que iria carregar minha expressividade criativa.

Aí, quando comecei a cogitar a questão, uma das primeiras “condições” que me impus foi que eu gostaria de um nome diferente. Não necessariamente único-em-toda-a-existência, mas ao menos algo que não é comum. Que não fosse simplesmente algo interessante traduzido para uma língua distante.

No mundo da Dança do Ventre, é extremamente comum acharmos bailarinas com nomes artísticos em árabe. Existem até sites com sugestões de nomes e seus significados. Já no Tribal, a coisa é bem mais ampla, pois o número de culturas é muito diverso, possibilitando uma escolha mais variada. Mas ainda assim, muitas apenas pegam uma palavra legal em outra língua. É também bastante frequente – nos dois meios, e também no mundo do Yoga – pegarem nomes de Deusas. Não querendo criticar quem escolheu um nome artístico porque era “bonito” apenas, ou quem escolheu uma Deusa porque ela é “legal” ou “poderosa”. Até porque eu desconheço os motivos que levaram muitas artistas a escolherem suas opções, e eles podem ser bastante profundas. :p

Mas o que eu queria, além de uma razoável raridade, era um significado profundo. Não apenas profundo a nível conceitual, mas que fosse denso para mim, que representasse algo muito importante e íntimo. Afinal, nossos nomes nos definem, em essência.

Desenvolvendo a ideia

Também não me recordo em detalhes como foi o processo todo, mas sei que primeiro eu defini o nome, e depois decidi por ter um sobrenome. Razoavelmente cedo eu defini que tinha preferência por um nome de Deusa. Pesquisei por variadas manifestações do tipo que tivessem a ver comigo e com meu processo interno.

Obviamente não nos identificamos com tudo que é deus, afinal, eles representam facetas variadas de arquétipos. Os que eu sempre senti uma conexão eram da vibe da Sekhmet (a leoa egípcia), Babalon, Durga, Kali, Hecate, Ishtar, Inanna, etc. Ou seja, figuras femininas poderosas, donas-de-si-mesmas, livres e associadas aos elementos fogo e terra, principalmente. Porém, não me agradava muito usar o nome de qualquer uma destas mencionadas, pois eram razoavelmente conhecidas, e a chance de topar com outra bailarina com nome igual ou parecido era grande.

Saí então a pesquisar. E topei com uma deusa chamada Anat, o que me chamou a atenção logo à primeira vista, pois é uma entidade cujo nome contém o meu próprio (Ana, pra quem não sabe :p ). Apesar das informações sobre ela serem razoavelmente escassas e um pouco confusas, quanto mais lia sobre, mais me encantava.

Segue um resumo sobre a deusa Anat:

Anat foi uma deusa semita, do período neolítico adorada por este nome principalmente pelos ugaritas (possível origem de seu culto, entre 6000 e 2000 a.C.), hititas e canaanitas. Porém, sua adoração se espalhou para diversas outras regiões e culturas, como os egípcios, mesopotâmios, sumérios, acádios, dentre outros. Seu nome ocorre de diversas formas, tal como “Anat”, “Anatu”, “Anata”, “Anta”, “Antu, “Anti”, “Anit”, “Anant”, “Antit”. Há também “Qetesh”, adoção egípcia.

É considerada uma deusa da fertilidade, do amor, da beleza, da sexualidade, dos animais, da caça e da guerra. Assim como outras deusas contemporâneas, suas faces são diversas e sua personalidade também, o que é visto como paradoxal por alguns. Ora benevolente, é também representada como violenta e destruidora. Dentre seus epítetos estão “Mãe”, “Virgem”, “Lasciva”, “Justa”, “Dama”, “Força da Vida”, “A destruidora”, “Dama da Montanha”.

Sua iconografia é variada, por vezes confundida ou misturada com a de outras deusas semelhantes e da mesma época. Geralmente é representada nua, com órgãos sexuais exagerados, ou com um vestido de pele de leopardo, e com um adorno na cabeça, um atef (coroa egípcia de plumas) ou a coroa semelhante à de Hathor (o disco solar ladeado por chifres). Frequentemente está junto ou sobre um leão, seu animal sagrado, e segurando uma cobra, flores semelhantes a lótus e alguma arma. Estas variam de lanças e machados a escudos e arco-e-flecha.

Anat caiu como uma luva. Contém meu nome verdadeiro, é uma deusa poderosa e antiga – outro fator que me agradou bastante, pois os deuses mais antigos geralmente agregam mais arquétipos em si, tornando-os mais complexos – , e é suficientemente diferente. \o/

Optei pela grafia com “h” no final por um motivo besta: o registro para site com o nome “anat” já existia. :p Assim, incluí o “h”. Porém, o “th” no final *não* se pronuncia como o “th” inglês. É um “h” mudo, ou seja, a pronúncia é a mesma que em “Anat”: “a-ná-t”.

Enfim. Com meu primeiro nome artístico sendo “Anath”, busco canalizar a energia dessa deusa em mim, seja na minha expressividade como na vida como um todo, através da dança. E isso está intimamente ligado ao meu Caminho Espiritual, que visa integrar tudo o que está na Sombra, renegado, reprimido, inclusive qualidades e características que apreço muito.

O sobrenome

As usual, não lembro exatamente onde foi que tive a ideia / vontade de complementar meu nome artístico com um sobrenome igualmente fictício. Provavelmente senti que faltava algo junto à Anath.

Sempre gostei muito de línguas diferentes – quanto mais diferente, melhor! – e, também devido aos meus estudos relacionados ao Yoga, optei por buscar um sobrenome com um significado importante pra mim… em sânscrito. Pesquisei por um bom tempo diversas palavras e/ou conceitos que achava interessante de associar ao meu nome, e ao meu propósito de trabalho interno. Por fim, concluí a busca com “Nagendra” – cuja pronúncia é “na-guên-dra”.

“Nagendra” é uma palavra sânscrita, mas que tem duas grafias: naagendra e nagendra, variando com o “a” longo ou curto. Naagendra, com a longo, significa “grande e nobre elefante” e “serpente-chefe”. Nagendra, com a curto, é traduzida como “Senhor da montanha”.

Optei pela versão com a curto, porém, a nível simbólico, incorporei ambas as versões no nome. O simbolismo da serpente é muito forte pra mim, tanto com relação a arquétipos coletivos – no caso, a “Grande Serpente”, um símbolo complexo que pode ser visto tanto como masculino (por exemplo, as serpentes mitológicas Naaga e Shesha) como feminino (por exemplo, a Kundalini) – mas também a nível pessoal, pois meu signo chinês é serpente. Já “Senhor da Montanha” também recebe variadas implicações, mas uma delas é que este é um dos nomes de Shiva, a divindade masculina hindu.

Deste modo – em parte – meu nome artístico teria parte feminina (Anath) e masculina (Shiva), remetendo a outro simbolismo que muito me encanta: o andrógino, a união entre o feminino e o masculino. Pois, por mais que eu seja uma mulher cis-hetero e que está em busca de uma melhor conexão com seu próprio Sagrado Feminino, eu também sei que possuo aqui dentro o Sagrado Masculino, e quererei integrá-lo tanto quanto minha própria Sombra.

Afinal, a Iluminação não é unilateral, muito menos “unigênera”. :p

A completude

Tendo em mãos nome e sobrenome artístico, seu significado reflete uma polaridade complementar entre suas partes, simbolizada por algo masculino e feminino, ou andrógino, representando o equilíbrio entre as oposições. Assim, Anath representa as diversas facetas da Deusa com as quais me identifico ou viso desenvolver e integrar ao longo do meu Caminho Espiritual, e Nagendra representa a serpente, para mim andrógina, amalgamando em si uma densidade simbólica forte.

O símbolo

Por algum motivo que me escapa (Dory, já falei?), defini que meu nome teria um símbolo associado. Depois de um tempo pesquisando, escolhi a fusão entre dois símbolos: um yin-yang (na verdade, este é o conceito, sendo o símbolo-em-si chamado de taijitu), que representaria a polaridade do dualismo em equilíbrio e constante movimento, formando a unicidade; uma estrela de oito pontas, símbolo da deusa Anat (e também de suas colegas, como Inanna.

Ele carrega uma camada mais pessoal e profunda de significado, mas o geral é isso. Posso dizer também que ele representa o equilíbrio máximo interno atingido através do Sagrado Feminino.

A criação da marca

Minha marca – leia-se: logo e símbolo – foi criada pelo Caligrafê, designer Fernanda de Oliveira, especializada em caligrafia! ❤

caliga2
Lettering – Caligrafia – Ilustração – Design

Ela pegou uma série de informações que passei, sobre os significados dos nomes, o símbolo, e o que eu almejava com a identidade artística, além de público-alvo e facetas da minha personalidade. A partir disso, ela estudou e criou uma fonte especialmente para esse trabalho, mesclando técnicas de lettering e caligrafia e se inspirando no estilo Uchen (tibetano) e Bâtarde (séc. 13). Também fez uma adaptação para fusionar os dois símbolos que pedi, criando uma peça única e super adaptável dentro do contexto da marca.

16586723_1742591722433143_733318642_o

Com a conclusão da criação do produto, o Caligrafê ainda envia toda uma apresentação da marca – a imagem em si, suas variações de uso, de cores, posições, tamanho, etc. – e também a explicação de cada pedacinho, onde se encaixa cada simbolismo informado, enfim, todo o processo. Cores também foram propostas, além de oferecer um padrão de preenchimento – baseado no símbolo – e ferramentas como cartão de visitas personalizado e o logo em diversos formatos para usar vida afora.

16491214_1738696009489381_2066780851_o

E cá está a história do nascimento do meu nome artístico. Se você está pensando em ter ou não, espero que estas duas postagens tenham sido úteis – tanto para a decisão, quanto para uma inspiração de processo criativo. 😉

Recomendo muitíssimo o trabalho da designer Fernanda de Oliveira, com o Caligrafê! Pra quem ficou interessado, segue o link do portfolio dela: Caligrafê! (em breve com site próprio)

And that’s all, folks!

sosimby

p.s.: sim, Anat é a mesma do Bal-Anat, grupo famoso dirigido por Jamila Salimpour, avó do Tribal. Mas não, não conheci a Anat pelo grupo ou quis imitar, foi totalmente aleatório. 😉

Sobre o autor Anath Nagendra

"Uma criatura estranha, mergulhando dentro de si mesma e tentando voltar para oferecer algo ao mundo."

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s