Anath Nagendra – a criação

Na minha última postagem (aqui) falei um pouco sobre ter ou não um nome artístico, opinei sobre motivações e propósitos, dei dicas para o uso e também sobre as variadas formas de se usar um stage name.

Hoje, trago a história detrás do meu, como foi a minha decisão de ter um nome artístico, sobre seu propósito, a pesquisa por trás dele e também sobre a criação da marca.

Como tudo começou

Sinceramente, não lembro. HUE

Minha memória é fã da Dory, então muitos detalhes já se foram. O que sei é que eu sempre gostei da ideia de nomes artísticos, fantasiosos, personagens & personalidades. Apesar disso, levou um certo tempo pra que eu começasse a pensar a sério em ter um stage name, provavelmente na mesma época em que comecei a considerar me profissionalizar.

Ansiosa que sou, logo me vi obcecada em escolher um, pra poder estar com tudo definido para usar em flyers e apresentações. Eu sabia que iria querer um nome diferentão, mais obscuro e com um significado denso, ao menos pra mim. Principalmente por que eu adoto a perspectiva de que o nome atrai a energia arquetípica em questão – mais detalhes na minha matéria sobre. 😉

Lembro que pesquisei várias opções, mas me concentrei em deusas. Sempre achei muito interessante a possibilidade de invocar um aspecto divino, e me foquei em buscar algum bem antigo. Isto porque, dependendo do panteão, os arquétipos estão muito “picotados”, separados em 534586856756252 facetas, sem falar na confusão que é a relação entre alguns.

É possível perceber isso ao comparar deusas/deuses muito antigos com os mais recentes. Os anteriores geralmente são aspectos que agregam uma série de qualidades, são ambíguos, enquanto que os mais atuais claramente separam essas faces em personificações distintas.

Assim, acredito ser mais útil, considerando o contexto, buscar formas mais completas, ao invés de me focar em apenas uma característica. Meu objetivo espiritual é tornar-me cada vez mais inteira, então, faz mais sentido nomear-me com arquétipos que já são, por si só, mais complexos.

Através desse processo que topei com Anat.

Minha personalidade sempre se sentiu atraída por aspectos fortes e ígneos de deusas, como, por exemplo, Sekhmet, Babalon, Durga, Kali, Hékate, Ishtar, Inanna… etc. Ou seja, figuras femininas poderosas, donas-de-si-mesmas, livres e associadas aos elementos fogo e terra, principalmente, que possuem facetas pacíficas e ferozes, além de amalgamarem várias características.

Isso tudo dialoga tanto com aspectos da minha personalidade que já estão integrados, fazem parte da minha consciência, quanto características que quero desenvolver, dar voz, libertar de uma jaula interna.

Anat tinha tudo isso, PLUS ser uma deusa bastante obscura e ter meu nome real embutido!

A deusa

Há uma razoável quantidade de informação sobre ela na Internet, mas ainda assim não é muito. Considerando a antiguidade de seus registros e as confusões históricas de mesclas e adoções divinas por outras culturas, é fácil se perder sobre quem ela era em sua época.

Para facilitar, Anat é um correlato arquetípico de Ishtar, Qetesh, Inanna e Astarte, por exemplo. Todas têm o mesmo tipo de simbolismo e representação histórica. Segue um resumo:

Anat foi uma deusa semita, do período neolítico adorada por este nome principalmente pelos ugaritas (possível origem de seu culto, entre 6000 e 2000 a.C.), hititas e canaanitas. Porém, sua adoração se espalhou para diversas outras regiões e culturas, como os egípcios, mesopotâmios, sumérios, acádios, dentre outros. Seu nome ocorre de diversas formas, tal como “Anat”, “Anatu”, “Anata”, “Anta”, “Antu, “Anti”, “Anit”, “Anant”, “Antit”.

É considerada uma deusa da fertilidade, do amor, da beleza, da sexualidade, dos animais, da caça e da guerra. Assim como outras deusas contemporâneas dela, suas faces são diversas e sua personalidade também, o que é visto como paradoxal por alguns. Ora benevolente, é também representada como violenta e destruidora. Dentre seus epítetos estão “Mãe”, “Virgem”, “Lasciva”, “Justa”, “Dama”, “Força da Vida”, “A destruidora”, “Dama da Montanha”.

Sua iconografia é variada, por vezes confundida ou misturada com a de outras deusas semelhantes e da mesma época. Geralmente é representada nua, com órgãos sexuais exagerados, ou com um vestido de pele de leopardo, e com um adorno na cabeça, um atef (coroa egípcia de plumas) ou a coroa semelhante à de Hathor (o disco solar ladeado por chifres). Frequentemente está junto ou sobre um leão, seu animal sagrado, e segurando uma cobra, flores semelhantes a lótus e alguma arma. Estas variam de lanças e machados a escudos e arco-e-flecha.

Anat caiu como uma luva. Contém meu nome verdadeiro, é uma deusa poderosa e antiga e é suficientemente diferente. Optei pela grafia com “h” no final por um motivo besta: o registro para site com o nome “anat” já existia. Assim, incluí o “h”. Porém, o “th” no final *não* se pronuncia como o “th” inglês. É um “h” mudo, ou seja, a pronúncia é a mesma que em “Anat”: “a-ná-t”.

Enfim. Com meu primeiro nome artístico sendo “Anath”, busco canalizar a energia dessa deusa em mim, seja na minha expressividade, ou na vida como um todo. E isso está intimamente ligado ao meu Caminho Espiritual, que visa integrar tudo o que está na Sombra, renegado, reprimido, inclusive qualidades e características que apreço muito.

O sobrenome

As usual, não lembro exatamente onde foi que tive a ideia / vontade de complementar meu nome artístico com um sobrenome igualmente fictício. Provavelmente senti que faltava algo junto à Anath.

Sempre gostei muito de línguas diferentes – quanto mais diferente, melhor! – e, também devido aos meus estudos relacionados ao Yoga, optei por buscar um sobrenome com um significado importante pra mim… em sânscrito. Pesquisei por um bom tempo diversas palavras e/ou conceitos que achava interessante de associar ao meu nome, e ao meu propósito de trabalho interno. Por fim, concluí a busca com “Nagendra” – cuja pronúncia é “na-guên-dra”.

“Nagendra” é uma palavra sânscrita, mas que tem duas grafias: naagendra e nagendra. Naagendra, com a longo, significa “grande e nobre elefante” e “serpente-chefe”. Nagendra, com a curto, é traduzida como “Senhor da montanha”.

नागेन्द्र naagendra                    नगेन्द्र nagendra

Considerando que, no português, não há esse tipo de diferenciação, estabeleci que meu sobrenome carregaria ambos os significados, apesar da escrita ser a mesma da versão curta. O simbolismo da serpente é muito forte pra mim, tanto com relação a arquétipos coletivos – no caso, a “serpente-chefe”, um símbolo complexo que pode ser visto tanto como masculino (p.ex., as serpentes mitológicas Naaga e Shesha) como feminino (p.ex., a Kundalini) – mas também a nível pessoal, pois meu signo chinês é serpente. Já “Senhor da Montanha” também recebe variadas implicações, mas uma delas é que este é um dos nomes de Shiva, a divindade masculina hindu – e correlaciona-se à própria Anat, por conta do “Dama da Montanha”.

O nome completo

Tendo em mãos nome & sobrenome, podemos contemplar o significado em sua totalidade e suas facetas. Optei por focar meu intento considerando Anath como sendo a minha estrela, no sentido de ser a direção pra onde caminho, o que busco me tornar; e Nagendra como a representação da minha dinâmica interna, recheada de dualidades, e a busca pelo equilíbrio e integração.

Anath, A Grande Serpente

O símbolo

Por algum motivo que me escapa (Dory, já falei?), decidi que meu nome teria um símbolo associado. Depois de um tempo pesquisando, fiz uma fusão entre dois, cada um representando uma parte do meu stage name: uma estrela de oito pontas – conhecida por ser a estrela de Inanna – sob a forma de dois quadrados (simbolismo da duplicação enquanto integração à consciência); e um taijitu (símbolo do conceito de yin-yang), referente à dualidade, equilíbrio e totalidade.

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A criação da marca

Minha marca – leia-se: logo e símbolo – foi criada pelo Caligrafê, da designer Fernanda de Oliveira, especializada em caligrafia! ❤

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Ela pegou uma série de informações que passei, sobre os significados dos nomes, o símbolo, e o que eu almejava com a identidade artística, além de público-alvo e facetas da minha personalidade. A partir disso, ela estudou e criou uma fonte especialmente para esse trabalho, mesclando técnicas de lettering e caligrafia e se inspirando no estilo Uchen (tibetano) e Bâtarde (séc. 13). Também fez uma adaptação para fusionar os dois símbolos que pedi, criando uma peça única e super adaptável dentro do contexto da marca.

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Com a conclusão da criação do produto, o Caligrafê ainda envia toda uma apresentação da marca – a imagem em si, suas variações de uso, de cores, posições, tamanho, etc. – e também a explicação de cada pedacinho, onde se encaixa cada simbolismo informado, enfim, todo o processo. Cores também foram propostas, além de oferecer um padrão de preenchimento – baseado no símbolo – e ferramentas como cartão de visitas personalizado e o logo em diversos formatos para usar vida afora.

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E cá está a história do nascimento do meu nome artístico. Se você está pensando em ter ou não, espero que estas duas postagens tenham sido úteis – tanto para a decisão, quanto para uma inspiração de processo criativo. 😉

Recomendo muitíssimo o trabalho da designer Fernanda de Oliveira, com o Caligrafê! Pra quem ficou interessado, pode acessar o site aqui! 🙂

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p.s.: sim, Anat é a mesma do Bal-Anat, grupo famoso dirigido por Jamila Salimpour, avó do Tribal. Mas não, não conheci a Anat pelo grupo ou quis imitar, foi totalmente aleatório.

sosimby

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