It’s all Bellydance!

O que vem à sua mente quando pensa em “Dança do Ventre”? Lindas mulheres sensualizando e dançando seminuas? E “Tribal Fusion”, já ouviu falar? São pessoas dançando feito índios nas tribos? NOPE². Hoje veremos um apanhado geral sobre o que realmente é esta dança milenar – e sua irmã caçula. 🙂

Primeiramente, “dança do ventre” é um termo que designa um estilo de dança que é bastante variado hoje em dia, mas ainda coberto de estereótipos e mitos. Gosto de dizer que tanto Dança do Ventre quanto Tribal Fusion, atualmente, são termos “umbrella”, ou seja, são como conceitos amplos que abarcam abaixo de si uma gama enorme de variedades. Especialmente o Tribal.

A bellydance possui uma história realmente longa, de muitos e muitos séculos. Entretanto, a dança que conhecemos hoje é extremamente recente, tendo sido desenvolvida no século XX. Badia Masabni foi a responsável por inserir a essência elegante e glamurizada no estilo, modificando também o figurino para o tradicional top e cinturão ricamente bordados. Antes disso, a Dança do Ventre geralmente era uma manifestação “folclórica”, majoritariamente praticada pelas ciganas árabes, e que passou por muita coisa ao longos dos tempos e países do Oriente Médio.

A seguir veremos uma série de vídeos que ilustram as muitas formas de manifestação da Dança do Ventre! Pra começar, temos dois dos primeiros registros em vídeo de dançarinas Ghawazee – as ciganas árabes. Ganharam fama nos Estados Unidos no final do século XIX, conhecidas por “Little Egypt”. Teoricamente, esse nome era de uma bailarina em específico – provavelmente Fatima Djemille – porém outras que ganharam fama também usaram essa designação.

O século XX se tornou o que chamamos hoje de Golden Age, ou seja, a Era de Ouro das bailarinas egípcias, em especial – mas não somente. Com a glamurização da dança e sucesso hollywoodiano dos filmes árabes, muitas bailarinas – que participavam dos filmes tanto como atrizes quanto com performances – ganharam fama mundial.

Taheya Carioca

Suheir Zaki

Adentrando agora a atualidade, a Dança do Ventre se subdivide em vários estilos. Um deles é o clássico, que refere-se à uma estrutura na performance e expressividade que acompanha a tradicional música clássica árabe. Atualmente essa rotina é um tanto difusa, pois essa vertente musical costuma ser muito longa, e, com as atuais exigências de tempo em eventos (e paciência do público), as músicas acabam sendo editadas, cortadas e reduzidas, eventualmente perdendo sua estrutura original. Além disso, mesmo as originais não seguiam de maneira estrita, muitas vezes misturando trechos.

Mas, de maneira geral, os principais aspectos são: introdução dos músicos (trecho geralmente ignorado pela bailarina, refletindo a atenção originalmente para a orquestra), entrada da bailarina (comumente com muitos deslocamentos e uso de véu, para uma boa apresentação inicial), mudanças cadenciais (onde a bailarina expões sua técnica e leitura musical), taqsim (trecho mais introspectivo, emocionalmente denso), solo de derbak (trecho puramente percussivo), folclore (onde a bailarina demonstra seu conhecimento), e finalizações.

Ju Marconato

Um dos estilos mais alegres e adorados é o solo de derbak! Como o nome diz, é um trecho da música clássica árabe ou uma música inteira feita somente por percussão, em especial pelo derbak, o tambor árabe típico. Aqui a bailarina lê as batidas com maestria, demonstrando sua capacidade técnica.

Esmeralda Colabone

O Folclore Árabe é extremamente rico e amado por muitos, havendo danças típicas de diversos países do Oriente Médio! As tradições de vários cantos do Egito foram adaptados para o entretenimento artístico pelo bailarino e coreógrafo Mahmoud Reda, incluindo alguns aspectos que sequer eram dançados, e outros folclores de países como Líbano, Golfo Pérsico e regiões do deserto e subsaarianas ganharam fama também.

Saidi – folclore egípcio

Khaliji – folclore do Golfo Pérsico

Tanoura – folclore egípcio

A Dança do Ventre se vale muito também do uso de acessórios, para incrementar e diversificar as performances. Um dos mais populares são os véus, amados principalmente pelos ocidentais, e o que possui mais variações. Existe desde o véu simples e seu uso múltiplo (duplo, sete véus, etc.), ao véu wings, fan, poi e flat, cujos tecidos podem variar também. Além desses, há o uso de espada, punhais, taças, jarros, pandeiros, snujs, bastões, lenços e até mesmo serpentes.

Véu duplo

Dança com espada

A globalização também permitiu que outros estilos de Dança do Ventre emergissem: a moderna e as fusões. Músicas de cantores árabes pop, movimentos mais amplos e impactantes, figurinos diversificados e criativos, maior liberdade artística e experimentações com outras danças caracterizam essa vertente.

Dança do Ventre moderna / contemporânea

Dança do Ventre e capoeira

Falando em fusões, na década de 70 uma bailarina americana de Ventre, Jamila Salimpour, criou um grupo chamado Bal-Anat, que se apresentava em feiras medievais com números inspirados na cultura árabe. Ela buscava oferecer ao público uma experiência autêntica do Oriente Médio, mas se abriu à inspirações diferentes, como os simbolismos relacionados a Grande Mãe e elementos circenses e de entretenimento. Isso possibilitou uma liberdade criativa que foi explorada por suas alunas, e foi a semente do que, mais tarde, seria chamado de Estilo Tribal de Dança do Ventre.

Bal Anat, cia de Jamila Salimpour

Carolena Nericcio, aluna de Masha Archer (que foi aluna de Jamila), desenvolveu uma dança nova, batizada de American Tribal Style® (atualmente FatChanceBellyDance Style®), baseada em improviso coordenado e que fusiona Dança do Ventre, Flamenco e Dança Clássica Indiana. Este estilo logo ganhou fama e é considerado a grande base do Tribal Fusion.

FatChance Bellydance, grupo de Carolena Nericcio (a da frente, no início)

O Tribal Fusion começou a se consolidar quando Jill Parker, aluna de Carolena, deixou o ATS®,  para desenvolver seu estilo próprio, que baseava-se em retomar algumas influências do cabaret, e com o tempo começou a incluir técnicas de hip hop.

Ultra Gypsy, grupo de Jill Parker

Atualmente, podemos dizer que a principal “linhagem” de criação do Estilo Tribal é: Jamila Salimpour > Masha Archer > Carolena Nericcio > Jill Parker. Porém, esta vertente possui raízes mais amplas, com grande influência de bailarinas “descendentes” de Jamila e de suas alunas, que não passaram pelo ATS®, e seus galhos se expandem cada vez mais. Uma das responsáveis pela popularização mundial do estilo foi Rachel Brice.

Datura, cia de Rachel Brice

Com o tempo, o Tribal começou a criar subgêneros mais ou menos definidos, ainda que muito de sua essência e manifestação esteja à parte. Old School, Indian Fusion, Urban Fusion, Dark Fusion, Temple Tribal, Interpretative… ufa!

É um estilo bastante difícil de entender e definir, pois flui tranquilamente por todo tipo de influência, inclusive chegando ao ponto de diluir os limites conceituais que o separam da Dança do Ventre e de outros estilos contemporâneos. Mas este assunto merece uma matéria própria. 😉

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Arte do topo: “Abstract belly dancer 17”, by Corporate Art Task Force

sosimby

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