Nome artístico: ter ou não?

Quando se escolhe a vida de artista – seja como profissão ou como hobby –, em algum momento você topa com a questão de ter ou não um nome artístico, ou stage name, para os gringos. Geralmente isso ocorre no início da carreira, e é algo a ser considerado antes de “criar fama”, para que o nome desejado seja o que vai ser memorizado pelo público. Mudá-lo depois de anos pode ser complicado, pois terá que se trabalhar muito na divulgação da nova imagem sem perder os vínculos e contatos da anterior.

Algumas pessoas não se interessam por isso e mantém seu próprio nome, enquanto outras adotam algo fictício ou fantasioso. Há ainda aqueles que trocam por questões de praticidade ou publicidade, ou que alteram apenas algum detalhe ou parte. O nome artístico pode ser escolhido a esmo, ser pesquisado, ou até mesmo recebido pela professora/iniciadora.

Para aqueles que se interessam e gostam da ideia de ter um nome novo, específico para sua persona artística, é importante considerar alguns pontos antes de decidi-lo, para evitar situações constrangedoras, chacotas ou mesmo enjoar dele.

A seguir exponho a minha visão sobre seus diversos usos, inclusive os não-artísticos, e alguns conselhos que acredito serem pertinentes para essa busca. Em breve trarei uma matéria especificamente sobre a minha busca pessoal por um stage name.

Primeiramente, pensar sobre o que se irá usar é importante para qualquer caso, mesmo pra você que preferiu o seu de batismo. Um nome é uma chave importante na sua imagem artística. Mesmo que seu trabalho seja o que realmente importa, será o seu nome que vai “estampar” a sua arte, que vai levar adiante sua existência, e comunicar ao mundo o seu contato.

Então, qual é a melhor estratégia?

TIPOS DE NOMES ARTÍSTICOS

Comecemos analisando as nossas opções. Sabendo quais são os possíveis prós e contras, fica mais fácil perceber qual delas se encaixa melhor na sua arte, na sua vida, personalidade e intenção de marketing.

Nome de batismo

Obviamente, não há problema algum em manter o nome de batismo. Ninguém é obrigado a adotar um stage name fictício, e muita gente, de fato, não se interessa por isso. É a opção mais prática possível, pois já está pronta e identificada a você. As únicas preocupações que você deve ter são de cunho publicitário:

Evite usá-lo completo caso ele tenha mais de um nome/sobrenome, pois os muito longos não se fixam facilmente na memória do público, e podem acabar abreviando e gerando confusões. Ao mesmo tempo, evite usar apenas seu primeiro nome, pois a chance de alguém ter o mesmo pode ser alta – a menos que ele seja extremamente singular.

Mas, mesmo que você use nome + sobrenome de batismo, pode ser útil pesquisar se há alguém de peso no seu meio artístico que tenha o mesmo, ou um muito parecido. Se sim, é aconselhável fazer alguma mudança.

Com isso, vamos à próxima opção:

Nome de batismo alterado

Esta é a saída para aquelas pessoas que não se interessam em ter um stage name fantasioso, mas têm um nome muito estranho ou difícil de pronunciar/escrever/memorizar. Há ainda aqueles que possuem um nome tão comum que facilmente se confunde com outra pessoa, ou que talvez já seja usado por outro profissional.

Nestes casos, é comum o artista alterar seu nome real para uma forma parecida, simplificando uma soletração complicada, ou mesmo adotando um sobrenome diferente. Há também a opção de se inserir um apelido característico – mas tenha cuidado para que não fique ridículo, ou longo demais.

Meio-a-meio

É o caso de quem adota um nome ou sobrenome fictício/fantasioso – mas mantêm o nome ou sobrenome real. Geralmente a mudança é no sobrenome, e é uma ótima opção para quem curte a ideia de stage name, porém não quer se desfazer do verdadeiro.

Nome fantasioso/fictício

E cá estamos no outro extremo. Aqui o artista resolve mudar completamente e adotar um totalmente fictício para si. Pode ser apenas um nome – desde que suficientemente singular – ou ambos, nome e sobrenome.

Cabe ressaltar aqui alguns cuidados:

– Pesquise se o nome desejado já não existe (na verdade isso vale para qualquer um dos casos acima), ou se já há alguém cujo nome é muito parecido;

– Escolha um nome cujo significado seja importante de alguma forma pra você;

– Se o nome for em outra língua, pesquise muito bem o que ele significa, suas traduções (muitas vezes mesmas palavras têm diversos significados), como se escreve e pronuncia. E também se ele não tem alguma conotação ou simbolismo na cultura original. Evite também palavras cuja gramática e fonética sejam muito complexas para o público.

– Se o nome for de algum personagem, considere bem as características da personalidade, e verifique se ela condiz com a tua pessoa – real ou artística. Não seria um bom negócio adotar para si o nome de uma pessoa/personagem cretino. :p

Cabe ressaltar aqui que estas são apenas sugestões e dicas para se escolher um nome artístico. Sinta-se livre para utilizar a forma que preferir. Apenas tenha sempre em mente as possíveis consequências da versão que escolher, e se estará disposto a ficar explicando ou corrigindo, caso resolva usar algo bastante distinto. 😉

O PORQUÊ E O PARA QUÊ

Agora, além das tipos de um nome artístico, temos também os porquês de adotá-lo. Os motivos de se escolher um ou não são tão diversos quanto as formas de usá-lo. Algumas pessoas acharão bobagem, outras acharão útil para separar a vida pessoal da artística, e ainda haverá aquelas que apenas acham bonito e divertido.

Na minha visão de mundo, a conexão entre o indivíduo e sua expressão artística estão intimamente relacionados, e de formas muito diversas e complexas, pois envolvem psicologia e espiritualidade. Não vou abordar esse aspecto mais profundo sobre a arte aqui, deixaremos para uma outra oportunidade. Mas quero trazer uma perspectiva mais simbólica – e ao mesmo tempo prática para fins espirituais ou esotéricos.

Teu nome real é uma definição de você. Ela não é necessariamente uma descrição, mas são as palavras que te identificam desde o nascimento, e com as quais você se identifica também. É o rótulo da tua persona, a face que você mostra para o mundo e com a qual convive. É possível fazer toda uma imersão de auto-estudo apenas com o próprio nome, seu simbolismo, o que ele significa pra você, como você lida com ele, o karma incluso nos sobrenomes familiares, etc.

Se você opta por seguir com seu nome verdadeiro na carreira artística, está se comprometendo a expressar e desenvolver a sua expressividade e criatividade tal como é. E está tudo bem com isso. Podemos até dizer que, assim, você está buscando a completude interna, expressar seu True Self, tornar-se completo, e se conseguir manter esse intento e seguir caminho, potencializar o seu desenvolvimento.

Mas, a partir disso, você pode pensar que eu estou dizendo que quem escolhe um nome fantasioso está renegando a si mesmo. Não.

Não é impossível que isso aconteça. É claro que haverá pessoas que irão adotar um nome fictício procurando fugir de si-mesmas. Querem esconder seu eu verdadeiro dos outros – seja por timidez, desgosto, medo, etc. Para estas pessoas, o nome artístico se torna uma máscara, que permite que eles sejam outra pessoa enquanto expressam sua arte.

Isso não é, intrinsecamente, ruim, pois cada pessoa têm seu próprio caminho, abordagem, desafios e obstáculos. Se ela se esconde, eventualmente seu dharma irá cobrar sua revelação, que poderá vir justamente através do uso da máscara.

Eu, em especial, lido com a busca de um nome artístico como uma espécie de invocação. Essa “máscara” pode se tornar uma ferramenta de realização, de integração com aspectos superiores, ou do inconsciente. Ela pode nos fazer aprender sobre nós mesmos, e sobre o que buscamos.

Por essas e outras que considero importante estudar o próprio nome e os potenciais stage names. Isso inclui, também, observar o contexto em que o nome foi escolhido (mesmo pra quem ficou com o de batismo), pois podemos tirar informações extras, relativas ao processo de cada um e as sincronicidades que o revelam.

Um exemplo: se você adotar o nome de uma deusa/deus qualquer, você está criando uma identificação com ela/ele. Está atraindo a energia arquetípica da figura para si mesma, para sua arte e para sua vida. E, dependendo de quem for e de como você está com relação ao seu processo interno, isso pode gerar problemas.

Nomes não são apenas palavras que identificam. Eles o amarram à uma intrínseca teia de eventos, energias e influências. Escolha – ou use o seu próprio – com sabedoria.

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Arte do topo: “Blind”, Fotógrafo: Sheridan’sArt, Modelo: MyrnaMoonstruck, Máscara: HysteriaMachine.

sosimby

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