De Onde Vim – II

No post anterior, contei um pouco da minha vida antes da dança. Hoje, trago a vocês o que me levou a buscar essa atividade e como isso se enraizou na minha vida – que completa 10 anos em janeiro de 2022!

Mas, como mencionado na Parte I, eu tive contato com dança na infância, porém não considero essa fase como algo que me influenciou. Vamos aos porquês – ou o que me lembro deles. Minha memória é terrível. ^^’

Por volta dos 5 anos minha mãe me matriculou numa escolinha de Ballet Clássico. Fiz em torno de 7 anos, cheguei a mudar de escola, quase me formei. Usei sapatilha de ponta, fiz algumas aulas de Jazz e até mesmo Sapateado! Também fiz aulas de Fandango (dança tradicional gaúcha), mas nesse caso foi mais por obrigação ao acompanhar minha mãe nos bailes. XD

Meu “ponto alto” da “carreira” foi aos 9, onde apresentei um solo (contemporâneo? no idea. “Não-clássico” hue) num festival de dança e ganhei medalha de terceiro lugar (que não ficou comigo, aliás. snif).

Porém, lembro que sempre me senti meio “off”. Não era algo que eu era apaixonada, era apenas uma atividade da minha rotina. Não praticava nada fora da sala de aula, e sei que eu me sentia “pesada”, não tinha aquela leveza que as bailarinas e coleguinhas tinham. E eu não era gordinha, mas tenho quase certeza que me viam como a mais “cheinha”, e provavelmente introjetei isso – afinal, não é como se vivêssemos num mundo que molda a cabeça de meninas a pensar que seu peso é a raiz dos seus problemas, né não? #ironia

EIS QUE, aos 11/12 anos, estava eu dançando com sapatilha de ponta num espetáculo baseado em “Gisele”… e minha patela esquerda sai do lugar. <o/

Ela saiu e voltou na mesma hora – mas o susto e a dor me tiraram completamente dali e sai mancando do palco. Ainda dancei novamente no dia seguinte, com o joelho enfaixado e sapatilha de meia-ponta, mas depois disso, nunca mais voltei para o Ballet ou qualquer dança, até a nova “fase”.

Fui diagnosticada com Condromalácia patelar, e então veio a época mais sedentária da minha vida – em suma, ensino médio e graduação inteiros, ~9,5 anos. Tentei fazer musculação várias vezes, mas eu nunca curti e sempre desistia após algum tempo. Só que sempre havia aquela pressão pra cuidar da saúde e não ser sedentária, algumas dores no corpo aqui e ali – e minha mãe saudosa dos tempos em que eu tinha uma postura que prestasse. XD

Se não me falha a memória, a última vez que frequentei uma academia já demonstrou que as coisas estavam mudando. Antes, a pressão era mais focada no emagrecimento, mas ali eu começava a querer cuidar do corpo em si – até saía me sentindo melhor!

E isso ocorreu junto de outras coisas também. Eu havia perdido muitos quilos devido à uma infecção urinária assintomática, e pela primeira vez na vida eu percebia minha auto-imagem como *magra*. Pela primeira vez na vida, eu sentava e não me preocupava com esconder a barriga.

Mas eu também fui capaz de ver que eu estava doente. Minha cara estava pálida e apática, meu corpo estava flácido e sem curvas (a.k.a. bunda e peitos XD), e assim percebi que a tão sonhada magreza era algo que não me fazia automaticamente feliz.

Acho que a partir disso comecei a cogitar buscar uma atividade física que eu gostasse de fazer, que não fosse a mesmice repetitiva da musculação e toda aquela vibe de pessoas ~fit que não batem comigo.

Lembro que fiquei um tempo dividida. Parte de mim se interessava por artes marciais, queria fazer algo mais intenso, enérgico, pra liberar as raiva tudo huehuehue. Outra parte buscava se reconectar com meu lado mais feminino (visto que nunca fui uma mulher “típica”) e se interessou por… Dança do Ventre.

Por óbvio, acabei optando pela segunda. Mas ainda tenho o desejo de praticar artes marciais. ô_ô

Por fim, no verão de 2012 fiz um curso intensivo de nível Iniciante de Dança do Ventre, na escola Templo do Oriente, de Brysa Mahaila. Descobri que tinha facilidade pra aprender os movimentos, me apaixonei pela dança e dali não saí mais. Pelo resto do ano, fiz aulas 2x por semana nos níveis básico e intermediário, em 2013 no avançado, e diversos workshops ao longo desses dois anos, tudo na mesma escola.

Em algum momento de 2012 descobri o Tribal Fusion, e vi que era aquilo que minha alma desejava. Mas optei por me embasar melhor, primeiro, em Dança do Ventre, pra mergulhar nisso depois. Mas é possível ver pitacos do estilo já no meu primeiro espetáculo huehuehue.

Em 2014 fiz o curso de Formação Profissional em Dança do Ventre, com a Brysa, que me deu um ótimo e amplo embasamento sobre tudo o que tem nesse mundo oriental, e foi quando comecei, timidamente, a dar aulas, pro estágio do curso. Ali que descobri que amava ensinar – e também descobri que muita, mas muita gente tem dificuldades de aprender e que o conteúdo de muitas escolas acabam afastando essas alunas. Aqui nasceu a vontade de focar em conteúdo iniciante e explicar da maneira mais detalhada e paciente possível.

2015 foi um ano LÔKO, porque fiz um extenso curso de Formação de Instrutores de Yoga Clássico, pela escola ABYOGA, de Porto Alegre (maravilhoso, por sinal!), e junto disso, fiz o de Formação em Tribal Fusion da Joline Andrade, em São Paulo!

2014-15 foram também os anos da encruzilhada. Estava deprimida fazendo o Mestrado em Paleontologia, fascinada com a dança, e com a carga nas costas de tomar decisões pra vida: seguir pro doutorado, mesmo sem ter energia pra isso? Tentar ganhar a vida com dança, sendo que meu perfil não era muito propício a isso?

Se eu estivesse em melhores condições mentais na época, talvez o ideal teria sido seguir com ambos, mas eu não tinha forças pra isso. Optei por me arriscar. Tive (e ainda tenho) o apoio da minha mãe, que sempre permitiu que eu fosse livre pra tentar minhas coisas, mesmo com ela cheia de preocupações sobre meu futuro financeiro.

E eu também

Em 2016 comecei oficialmente a dar aulas aqui e ali, segui participando do Grupo Templo do Oriente, de Brysa, até 2019, enquanto tentava me firmar no meio artístico e ganhar dinheiro pra me sustentar.

BÃT, a vida, meus caros, é uma caixinha de surpresas. Posso dizer que “falhei” em conseguir me estabelecer na profissão da maneira “comum”, mas há muitas causas pra isso e não me culpo nem me sinto derrotada.

Os desafios da vida me forçaram a reavaliar muita coisa, e cá estou eu em mais uma tentativa de renascimento e consciência da minha própria jornada. Falarei mais sobre em posts futuros, e espero que eu siga crescendo e tendo condições e ajuda pra poder me sustentar com algo que somente eu posso oferecer: minha arte. :3

No meu canal no Youtube tem uma playlist, “Baby bellydancer“, com vários vídeos dos meus primeiros anos, pra quem quiser conferir. 😉


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