It’s All Bellydance – II

“Abstract Belly Dancer 5”, by Corporate Art Task Force

Continuando daqui, hoje falarei um pouco sobre o que diabos é esse tal de Tribal Fusion.

Pra começar, devo dizer que você vai topar com diversas nomenclaturas e definições. É um estilo extremamente rico e flexível, e que atualmente está passando por muitos questionamentos e sugestões. Por conta disso, é de grande importância ter ao menos uma noção da história e surgimento dessa dança – o que auxilia muito em entender sua essência e conexão com a Dança do Ventre.

Na década de 70 uma bailarina americana de – veja só – Dança do Ventre, Jamila Salimpour, criou um grupo chamado Bal-Anat, que se apresentava em feiras medievais com números inspirados na cultura árabe. Ela buscava oferecer ao público uma experiência autêntica do Oriente Médio, mas se abriu à inspirações diferentes, como os simbolismos relacionados a Grande Mãe e elementos circenses e de entretenimento. Isso possibilitou uma liberdade criativa que foi explorada por suas alunas, e foi a semente do que, mais tarde, seria chamado de Estilo Tribal de Dança do Ventre.

Bal Anat, cia de Jamila Salimpour

Carolena Nericcio, aluna de Masha Archer (que foi aluna de Jamila), desenvolveu uma dança nova, batizada de American Tribal Style® (atualmente FatChanceBellyDance Style®), baseada em improviso coordenado e que fusiona Dança do Ventre, Flamenco e Dança Clássica Indiana. Este estilo logo ganhou fama e é considerado uma das grandes bases do Tribal Fusion.

FatChance Bellydance, grupo de Carolena Nericcio

O Tribal Fusion per se começou a se consolidar quando Jill Parker, aluna de Carolena, deixou o ATS®,  para desenvolver seu estilo próprio, que baseava-se em retomar algumas influências do cabaret, além de incluir técnicas de hip hop. Outra peça-chave foi Rachel Brice, que popularizou o estilo nos anos 2000 ao participar do Bellydance Superstars.

Ultra Gypsy, grupo de Jill Parker
Rachel Brice

Atualmente, podemos dizer que a principal “linhagem” de criação do Estilo Tribal é: Jamila Salimpour > Masha Archer > Carolena Nericcio > Jill Parker. Porém, esta vertente possui raízes mais amplas, com grande influência de bailarinas “descendentes” de Jamila e de suas alunas que não passaram pelo ATS®, e seus galhos se expandem cada vez mais.

Aywah!, grupo de Katarina Burda
Mira Betz
Zoe Jakes

É importante frisar que, hoje, a comunidade em geral não mais considera que o ATS* é a origem única do estilo, muito menos a obrigatoriedade de haver passos típicos dessa vertente para ser considerado como tal.

Com o tempo e sua explosão mundial, o Tribal começou a desenvolver subgêneros mais ou menos definidos, ainda que muito de sua essência e manifestação esteja à parte. Old School, Indian Fusion, Urban Fusion, Dark Fusion, Temple Tribal, Interpretative… ufa!

É um estilo bastante difícil de entender e definir, pois flui tranquilamente por todo tipo de influência, inclusive chegando ao ponto de diluir os limites conceituais que o separam da Dança do Ventre e de outros estilos contemporâneos.

Então, você vai encontrar várias formas de descrever e nomear essa dança, tais como “dança que fusiona Ventre, Flamenco, danças indianas e do hip hop”, “Dança do Ventre contemporânea”, “Dança do Ventre Étnica-contemporânea”, “Dança do Ventre de Fusões”, “Dança do Ventre Estilo Tribal”e por aí vai.

Quanto à nomenclatura, atualmente o meio artístico vem desencorajando o uso do termo “tribal”, e muitos outros estão sendo propostos. “Tribal Fusion” ainda é bastante usado, mas creio que não o será mais em breve. “Tribal Fusion Old School” talvez permaneça, mas é uma referência específica à técnica e estética do começo dessa jornada, em geral as manifestações dos anos 2000.

“Fusion Bellydance” tem sido a proposta mais vigente nos últimos tempos (e a que estou adotando, por ora), junto de “Transnational Fusion”, proposta por Donna Mejia.

De toda forma, a dança Fusion Bellydance tem muito o que falar ainda, e sua essência tão culturalmente vasta e flexível possivelmente irá impedir o surgimento de uma definição clara.

Você pode conferir no meu canal duas playlists específicas sobre a história desse estilo, aqui e aqui, e em breve criarei outras pra reunir performances de todas as facetas desse mundo imenso!


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