Desde uma “simples” prática física para queimar calorias a uma ponte para o mundo interior, a dança pode nos proporcionar um belo trabalho com a consciência e coordenação corporal, fortalecimento da confiança e auto-estima, terapia contra estresses cotidianos e até nos guiar no desenvolvimento artístico, musical e espiritual.

O meu foco com a dança é um amálgama de todos estes benefícios e potencias que ela oferece, com uma forte ênfase nos elementos espirituais e esotéricos. Trabalho para demonstrar que dançar não é apenas mexer o corpo num determinado ritmo, é uma das mais completas e complexas formas de expressão, capaz de unir diversos aspectos da vida e impactar várias camadas do nosso dia-a-dia.

Esta é minha relação com a dança, e, enquanto um trabalho, tento levar estes aspectos às minhas alunas e performances, para demonstrar e apresentar as infinitas possibilidades e maravilhas que esse mundo pode oferecer.

Meu método de ensino

Como alguém de mente sistemática e analítica, gosto de elaborar minhas aulas e cursos de maneira estruturada e lógica, visando transmitir o conhecimento à aluna de modo que esta o absorva e possa utilizar por conta própria em seu caminho. Sou bastante detalhista, e procuro ensinar sobre tudo o que sei, sempre frisando sobre a constante flexibilidade e evolução do mundo artístico.

No meio da Dança do Ventre e Tribal Fusion não há uma regulamentação “oficial” no que concerne os conteúdos de aula, nomes dos passos e formas de ensino. Cada professora acaba tendo a sua própria linguagem e maneira de ensinar. Por conta disso, acho importante sempre deixar claro minha forma de ver o ensino da dança.

Costumo dar ênfase à figuras, linhas e planos no ensino dos passos, para que a aluna tenha consciência da intenção do movimento, e possa, mais adiante, perceber a dinâmica de criação e combinações da dança. Além disso, gosto de dividir o trabalho em treino de isolamento – cujo foco é exercitar a técnica o mais limpa possível – e soltura da “ginga” – cujo objetivo é, após conquistada a técnica em si, trabalhar para que ela flua de maneira livre, conforme o desejo e necessidade da bailarina, ao invés de ficar enrijecida em um movimento “duro”.

Acredito que uma boa conscientização da postura e das formas dos movimentos seja a chave para um bom aprendizado e o trampolim para a aluna se desenvolver por si mesma. Observo com freqüência exemplos de aulas, didáticas ou seqüências coreográficas direcionadas para Iniciantes ou nível Básico, mas que – a meu ver – são complicadas demais para um certo grupo de pessoas. Quem aprende rápido pode se dar bem com qualquer situação, porém, já tive contato com alunas que precisaram do dobro ou triplo do tempo para aprender um passo. Percebi como parte da dinâmica de ensino que temos atualmente acaba por excluir essa parcela de alunas, que têm maiores dificuldades ou um ritmo mais lento, culminando numa frustração que muitas vezes as leva à desistência.

Idealmente, divido os níveis de dificuldade em: Iniciante; Básico; Intermediário; Avançado e Profissional.

No nível Iniciante, o objetivo é trabalhar a consciência e coordenação corporal, assim como os movimentos mais simples e sua percepção nos planos e eixos. No Básico, é hora de apresentar um conjunto maior de passos, combinações em sequências, percepção rítmica e uma abordagem um pouco mais desafiadora. O Intermediário é, geralmente, o nível mais demorado, pois é aqui que se aprende praticamente tudo em termos técnicos, elaborando os desafios e coordenação e incluindo conhecimentos teóricos. No Avançado é hora de pegar todo o aprendizado anterior e focar no refinamento e experiência, tanto em termos técnicos quanto artísticos e, enfim, tornar-se uma bailarina independente, que poderá seguir seu caminho explorando seus interesses.

Por fim, o nível Profissional é – para *mim*, especificamente – mais uma forma de postura de trabalho do que uma classificação técnica. Se você quiser trabalhar com dança, seja apenas como bailarina, seja como professora, seja alguém com ambição internacional ou que queira abrir seu próprio estúdio, você terá de abraçar mais responsabilidades e seguir estudando e se aperfeiçoando.

Idealmente, uma Profissional é alguém do nível avançado, mas acredito ser possível iniciar uma carreira mesmo do intermediário. O que define o grau de desenvolvimento de uma bailarina é algo bastante subjetivo e tem vários fatores. E, considerando a quantidade de conhecimento envolvido na dança (em especial o estilo Tribal), se deixássemos para ensinar somente depois de aprender “tudo”, o resultado seria que… não haveria aulas!

Eu ainda tenho muito a aprender e a trabalhar, em todos os sentidos, e me considero de nível intermediário-avançado. Entretanto, decidi que queria fazer da dança o meu trabalho, e direciono toda a minha energia para me tornar uma profissional deste mercado.

Atualmente desenvolvo uma abordagem multinível para aulas e cursos presenciais, buscando levar meu detalhismo técnico e limpeza de movimentos básicos juntamente com sequências desafiadoras. Mas a paixão em ensinar de forma que até a aluna mais durinha possa dançar segue, agora direcionada ao meu projeto de aulas on-line. 😉

Meu Estilo

Todas as minhas performances possuem algum significado ou função para com meu desenvolvimento interior, mesmo que seja apenas uma apresentação “tradicional” de Ventre ou Tribal. Todas elas me desafiam de alguma maneira ou me auxiliam a expressar alguma coisa.

Seja para lidar com a exposição do palco, com a adrenalina de dançar de improviso, confiar e desenvolver minha capacidade técnica, buscar a minha própria linguagem de movimento, experimentar diferentes energias, aprender a confrontar minha autocrítica negativa, ou para dar vazão à criatividade, emoções e aspectos do inconsciente.

Atualmente me dedico a aprofundar minha relação com a dança como sendo uma ferramenta esotérica e espiritual. Por exemplo, posso usar a criação e desenvolvimento de uma performance e sua apresentação como um ritual mágico específico; para dar espaço para minha Sombra se expressar; para deixar as emoções e sensações bloqueadas fluírem e observá-las; encarnar a energia de um determinado arquétipo; etecétera.

Poderia dizer que o meu estilo pessoal é próximo do Temple Tribal Fusion (ritualístico). Porém, de uma maneira geral, este subgênero tende a ter uma expressão visual e gestual típica, que informa o público o seu significado.

No meu caso, nem sempre há essa pista visual. Posso, por exemplo, dançar uma Dança do Ventre tradicional com uma música clássica árabe e fazer dela um ritual para encarnar Afrodite. Posso criar uma performance de Tribal Fusion como uma despedida simbólica do meu cabelo, e observar o que os acontecimentos pré-durante-pós dança me informam sobre esse processo (por exemplo, aqui).

Por conta disso, percebi que o termo “ritualístico”, por mais que esteja correto para o que eu faço, não define muito bem o meu estilo, visto que já existe uma certa estética no subgênero que não condiz, necessariamente, com a minha. Assim, decidi nomear minha própria abordagem da dança.

DHARMA FUSION

“Dharma” é um conceito complexo encontrado em diversas religiões/filosofias orientais, como Hinduísmo, Budismo, Sikhismo, etc. Não existe uma tradução simples para ela, e seu significado difere um pouco dependendo da fonte. O uso que faço é próximo do budista, cuja simplificação seria como “lei cósmica”.

Gosto de usá-la como sinônimo de Caminho – isto é, o trilhar espiritual pessoal de cada um, a estrada definida pelo Self para a evolução interna e eventual libertação.

Minha dança é um amálgama de tudo o que utilizo para o meu desenvolvimento e busca pela integração. Nela, fusiono elementos que vão além de técnicas de movimentos e estética de etnias diversas. Associo conhecimentos de psicologia (predominantemente junguiana), religiosos (predominantemente budistas) e esotéricos (uma grande salada com uma vibe Magia do Caos).

Fora dos palcos, busco usar o trabalho corporal também como ferramenta de autoconhecimento, utilizando o mesmo tipo de embasamento teórico e práticas como Raja Yoga e Taijiquan estilo Yang.

sosimby